Armarinho Tem-Tem: um lugar encantado!

"Um lugar encantado, cheio de vitrines coloridas por luzes que piscavam lentamente e ajudavam a simular o movimento de brinquedos, aguardava por clientes. Era o shopping que tínhamos!..."


 10/11/2017 às 15h:43min

Quanta saudade do tempo da Feirinha de Natal!

Talvez esta saudade não seja por acaso. Lembranças invadem o agora como se fosse um sonho!

O mês era dezembro. O céu azulado coloria a vida com a luminosidade âmbar do sol e, quando anoitecia, dava visibilidade às estrelas reluzentes.  A nitidez do firmamento era uma lente de aumento a promover emoções. O clima quente do fim de Primavera favorecia celebrações ao ar livre. Pessoas vestiam-se melhor e cruzavam ruas e esquinas para exibirem seu contentamento quando se encontravam. E todos apesar de conhecidos agiam cerimoniosamente como se houvesse um longo tempo que se viram.

Embalados nessa euforia do tempo de Natal, crianças saltitantes de felicidade, seguravam as mãos de seus pais em busca de um passeio a pé.  Como brinde, sempre recebiam guloseimas de então. Algodão doce, pirulito de mel de abelha e pipoca faziam a gurizada se contentar.

Estava para entrar o terceiro ano da década de sessenta. Época dos anos dourados! Itabaiana era uma cidadezinha de interior com um tímido comércio que ocupava os arredores do Largo Santo Antônio que em dias de sábado abrigava a feira livre.  A vida pacata de sua gente dava impressão de certa tranquilidade.

Um lugar encantado, cheio de vitrines coloridas por luzes que piscavam lentamente e ajudavam a simular o movimento de brinquedos, aguardava por clientes. Era o shopping que tínhamos! Funcionava em uma casa de esquina com muitas portas, uma para cada balcão. Apesar de tantas novidades, a minha memória visual de criança, conservou as ludicidades nele existente.

O que mais chamava a minha atenção eram as bonecas lindas que ficavam em pé dentro das caixas protegidas por um papel celofane. Elas sorriam como que cumprimentavam os visitantes; pareciam ter vida. As da marca Estrela eram as mais cobiçadas porque conseguiam ter muita semelhança com gente. Além de lindas e risonhas, falavam, andavam e viravam a cabeça.  Favoreciam o sucesso daquelas vitrines que também exibiam brinquedos de corda para encher de vontade os olhos da criançada.

  Contemplar aquelas vitrines era um bom motivo de querer passear. Algumas vezes ficávamos por um bom tempo apenas observando! Logo, logo, aparecia seu Fefi, idealizador e dono daquele lugar que encantava a todos! Além de ser o dono, era uma pessoa  convidativa; tinha uma presença de espírito para deixar o ambiente encantado! Sempre de bem com a vida, cumprimentava a todos com empolgação e, assim, conquistava seus fregueses. Dedicava uma atenção maior às crianças que vidravam os olhos nos brinquedos imaginando adquirir algum. Comunicava com a alegria verdadeira que não vendia simples mercadorias, mas ilusões infantis.

No tempo de Natal o lugar era sugestivo para a espera do Papai Noel. Carinhosamente, financiava uma passagem do Polo Norte só para animar as festas natalinas da cidade. Bem no alto da parede do lado de fora da edificação, letras com lâmpadas coloridas denominavam: Armarinho "Tem-Tem"! Sei bem que para os adultos importavam os lindos enfeites que ali poderiam encontrar, mas para a memória de uma criança nada, nada importava mais que os brinquedos exibidos naquelas vitrines.

Passaram-se tantos Natais e essa imagem nunca foi por mim esquecida!

Sobre a Coluna

Tereza Cristina

Tereza Cristina

Escrevivência da educadora Tereza Cristina

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