Tonho Torto, o caranguejo falante!

Conheça a história de um dos nossos personagens ilustres da nossa querida Itabaiana.


 22/06/2017 às 12h:15min
Tonho Torto, o caranguejo falante!

Em uma tarde de segunda feira, em seu espaço reservado preenchido de objetos antigos. Nas suas paredes, fotografias que recordam sua história. Atrás de um balcão que nos faz lembrar comércios do passado, encontra-se José Antônio de Andrade Oliveira, empresário, comunicador e uma grande figura do Município de Itabaiana. Comunicativo e com um comportamento bastante peculiar, “Tonho Torto” como é conhecido na cidade serrana, trabalha diariamente no seu escritório. Ao longo do dia, diversas pessoas que por ali passam, já brincam com o popular: “Caranguejo!”. De maneira natural e típica Tonho Torto logo responde: - Sua mãe! “fidocanso!”.

Caranguejo foi um apelido que Tonho Torto ganhou na terra que ele adotou como sua pátria, Itabaiana. Antônio nasceu em 02 de março de 1961, em Frei Paulo. Lá, junto aos seus dez irmãos (dois in memorian), ajudava seu pai vendendo água e engraxava sapatos. Sua família mudou- -se para Itabaiana quando ele tinha oito anos, pois era o desejo de sua mãe, diferente de seu pai, que mesmo após a mudança de cidade, manteve seus negócios em Frei Paulo. Antônio também não tinha interesse de ir à terra da Cebola (popularmente conhecida, em referência à Itabaiana):

 - Eu mesmo nunca tive interesse em morar em Itabaiana, sempre me identifiquei com aquela terra pacata, eu era feliz. Vendia água na feira com papai, pois antigamente não tinha água encanada em Frei Paulo. Mamãe é que sempre teve essa vontade de vir morar em Itabaiana. Papai é que não queria vir, tinha matança de porco lá.

Ao chegar em Itabaiana, Antônio começa a trabalhar como marceneiro, mas como “amante da radiofonia”, em um momento único do destino, encontra sua chance de trabalhar na área. Após um acidente com um carro de campanha política, ele pediu oportunidade a Francisco Teles de Mendonça, Chico de Miguel, líder político da época, para reformar e ficar com o aparelho sonoro:

 - Seu Chico, o sinhô não vai querer mais aquelas bocas de som do carro não, né? Porque eu queria te pedir prá reformar e ficar com elas.

A partir daí, Tonho Torto iniciou seu trabalho enquanto comunicador, alugando carros para colocar seu som e realizar divulgações e trabalhos de campanha. Inicialmente trabalhou com Zé de Alves, porém com o descompromisso do mesmo, começou a desenvolver o papel de orador. O mesmo lembra da primeira vez que noticiou a primeira nota de falecimento:

 - Certa vez, eu tava junto com “Zé de Ave” noticiando a morte de um amigo, lá pelas banda da vila de Zé de Melinha, quando Zé parou numa budega para tomar sua pinga, e me deixou no carro. Ele sempre fazia isso, mas nesse dia já era por base da terceira vez, então eu não quis parar o carro para Zé descer. Foi aí que Zé desceu mesmo com o carro andando, então daí por diante, seguir anunciando o ato fúnebre.

Foi assim que surgiu o Tonho Torto. Com o tempo, foi ganhando credibilidade e reconhecimento dos comerciantes e da população. A cada dia, o trabalho aumentava então precisou comprar seu próprio carro e iniciar seu trabalho como orador na microfonia. Posteriormente, conseguiu vaga para trabalhar como radialista na rádio Capital do Agreste e, devido à sua influência pública, buscou por duas vezes ser vereador da cidade, não obtendo êxito. “Seu primeiro automóvel foi um fusca amarelo com os alto falantes de uma veraneio antiga que Tonho ganhou de Chico de Miguel. Ele fazia um programa na rádio Capital do Agreste, chamado Noite de Ternura e seu nome artístico era J. Andrade.” Lembra Sérgio Santana, radialista.

Tonho Torto lembra com sentimento de um dos momentos mais difíceis na sua vida, um incêndio em um dos seus carros na sua garagem de serviço. Por sorte conseguiram retirar o carro, porque segundo ele, o prejuízo seria muito maior:

 - Naquela noite foi um momento bastante difícil prá gente, acordei aos gritos dos vizinhos: ‘fogo! fogo!’ Por sorte eu e os meninos tiramos o carro ainda em fogo pra fora da minha garagem, certamente o estrago seria maior.

 Caranguejo, apelido que Tonho carrega por sua vida, ficou nacionalmente conhecido por ter sido entrevistado pelo humorista Mução, onde foi telefonado no programa de pegadinhas do humorista. Nas suas respostas, deixou sua marca do itabaianense simples, trabalhador e destemido. “Antonio é um ser que fica na dele, pacato e tímido, possui poucos amigos.”, relata Alex, conhecido do popular Caranguejo.

 Casado há 30 anos, Antônio teve três filhos, todos dedicados aos negócios do pai. Atualmente Antônio possui alguns carros de som, o trio elétrico ideal e o disk mensagens. Por onde passa, ele continua deixando suas célebres notas fúnebres. E assim, Tonho Torto segue sua vida de empreendedor e comunicador, sempre com seu jeito sério, embora em alguns momentos deixa sinais de humor e descontração:

- Caranguejo é sua mãe, fidocanso! 

 

Leonan Leite e Luciana Góis


Da redação, por Leonan Leite Leal
Atualizado: 26/06/2017 às 20h:03
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